“Um lugar sem cinema é como uma casa sem espelhos”

Essa semana aconteceu o VI Comunicurtas, Festival de Cinema de Campina Grande. Só prestigiei o 1º dia e nem no dia da exibição do meu próprio filme eu estive presente. Infelizmente coincidiu a exibição com a presença de Jum Nakao  em João Pessoa.. daí né? Pude mandar alguém me representar no comunicurtas sem problemas. A minha conversa com o japa foi bem interessante, bem como a palestra dele, enfim.

Do 1º dia, pulo para o último, a premiação. Mais uma vez eu não iria, tinha trabalhado até tarde, passei em um aniversário e ainda fui jantar. Cheguei desprentesiosamente ao SESC Centro e fiquei lá atrás, me alternando entre risadas (baixinhas ta?) com amigos e a premiação. Até que então no meio  dessas conversas  eu escuto: Memória Morta. Não acreditei e parei pra escutar de novo, algúem gritou: “aeeee” no meu pé do ouvido. Outro me puxava pra eu ir para o palco e eu tentava processar tudo ao mesmo tempo, “menção honrosa pelo tema proposto…” – VAI TIMBORA MULHER! Ok, eu vou.

Pouca gente olhando pra minha cara.

Uma luz de interrogatório me cegou, não conseguia ver ninguém, parecia que eu tava falando sozinha. Me senti uma idiota por estar tremendo e ainda perguntei pra o menino que entregava as “estatuetas”: – É MEU?   Não me recordo o que falei, mas eu queria nesse post falar tudo que não falei ali no palco, só pra desabafar mesmo (tô carente, sabecomé).

O filme foi o meu primeiro, nada mal pra quem ta começando agora. Sim, me formei e a vida começa agora e não quando a gente entra na faculdade como todo mundo pensa. Foi um trabalho extremamente dificil de se fazer, com pouco tempo, sem equipamento, quase sem equipe e uma torcida ENORME pra que tudo desse errado. I’m sorry guys, here I am. Bem, na verdade deu. O filme não ficou como eu queria e após alguns meses decidi sentar e finalmente reeditar meu filho. Assim foi feito, diante do número de emails que eu recebia sobre o filme decidi lança-lo. Foi uma grande vitrine, mas confesso que não foi a melhor experiêncida da minha vida. Feito! Documentário lançado à sociedade. E eu achava que terminaria por aí. Para a minha surpresa, a partir dele, surgiu na cidade um grande movimento de preservação do patrimônio da cidade, que se existia, era tímido. O filme conseguiu alertar uma grande parte da população, despertou o interesse de acadêmicos, jornalistas, políticos (sim, eles apareceram!), estudantes , historiadores e até médicos e advogados, cidadãos campineses. Surgiu o I Seminário A Cidade como Patrimônio Cultural, na UFCG, fortaleceu a luta para a reabertura do Cine São José e despertou no IPHAEP uma atenção maior para à cidade. O filme não foi aquele projeto que tirou 10 no departamento de Arte e Mídia mas com certeza foi um dos poucos que na sua pequenês conseguiu movimentar uma cidade. Talvez esse foi o melhor prêmio que já recebi na vida.

Mas o episódio de subir ao palco e poder mostrar pra muita gente que eu tenho meu espaço no meio dos grandes cineastas, foi surreal. O filme tem defeitos sim, GRANDES. Não sou cineasta porque fiz UM filme, sou uma aprendiz que teve seu trabalho reconhecido é por isso que to aqui falando isso tudo.

Um premiado disse lá em cima “da vontade de esculhambar tanta gente nesse momento” e eu olhei pro lado e disse: se eu ganhasse eu diria a mesma coisa.

Preciso?


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4 comentários sobre ““Um lugar sem cinema é como uma casa sem espelhos”

  1. João Carvalho disse:

    Adorei o blog, não conhecia. Mas o post…eu acho que o prêmio maior você mesmo disse que já tinha conseguido. Foi chamar a atenção para a situação da memória da cidade que você ama tanto. Se já começou a alertar e está conseguindo que as mudanças aconteçam, ótimo! Ponto. E de quebra ainda levou um prêmio no festival. Vá para o Taquary e leve uma cópia, porque esse eu quero ter na minha coleção de documentários. Pelo que pude ver no “teaser”, deve ser muito bom. E ainda vou poder vê-lo em Taquaritinga. Beijo grande.

  2. Poliana disse:

    Hahaha

    queria ter visto, mas sacomé… Recife me devolve estraçalhada e dessa ultima vez foi traumatizante. Mas, enfim.. Parabens e que ele continue dando frutos sendo um pouquinho da água que move o moinho que não deixa a cidade ser esmagada pelo desenvolvimento e o “progresso” (ok, juro que não foi o da viação ao qual me referi!).

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